julho 29, 2005na periferia da terra
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os gritos. sempre os gritos como engodo. todos querem para si o fluxo da violência, todos eles anseiam à vez pegar nas rédeas do caos e disseminar o pó da raiva no dorso dos homens que estão de mãos vazias e que se encolhem à passagem do bafo quente e muscular do sangue em explosão. qual a terra de onde foram expulsos? qual o peso das pedras que cada um deles traz agrilhoada a uma das pernas? quais os nomes dos rios a que estão destinadas todas aquelas pedras? a correria. os rostos liquefeitos. a carne a descolar dos ossos. que amor terão todos eles abandonado para assim morrerem por nada? .....................................
setembro 11, 2004na periferia da terra #3
Ao fazer uma lista de compras há quem se lembre de escrever o seu testamento. Muitas dessas pessoas ficam tristes e perdidas por não haver publicidade televisiva de promoção a produtos para um testamento. Mas nada há a temer, é permissível morrer sem testamento.
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julho 26, 2004na periferia da terra #02
quando se perde a inocência, procura-se desesperadamente a representação do ininteligível como substituição desse dano inevitável.
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julho 22, 2004na periferia da terra #01
vejo todos os corpos humanos como veículos de emergência que constantemente socorrem alguém. a velocidade que a carne atinge surpreende qualquer alma, mas... provoca dor, e não há serviço de urgência que anestesie a dor do tempo.
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