julho 01, 2004anónimos | retratos #01
Procuro palavras que descrevam estes rostos. Todos os verbos que tento empregar para a sua descrição não possuem conjugação para descrever o tempo interrompido por esta fotografia. Para já encontro uma palavra, confiança. Mãe e filha depositaram em mim (um estranho) confiança, deixaram que lhes interrompesse a vida para a organizar sob o meu olhar. Deixaram que a minha visão lhes desse uma vida que não corresponde à realidade. A elas, o meu agradecimento. Todos os retratos que faço não são tentativas de reproduzir a realidade, quem sou eu para ser o representante da realidade? Seria demasiado prepotente da minha parte se eu dissesse que as minhas fotografias são a realidade das pessoas que fotografo. Não são. Quando faço um retrato tenho por objectivo fazer uma fotografia à minha imagem. Não falseio o meu narcisismo em afirmar que sou eu o retratado nas fotografias que faço às pessoas desconhecidas. São eles, os desconhecidos, os porta-vozes do meu silêncio, da minha demência. foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
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