julho 26, 2004na periferia da terra #02
quando se perde a inocência, procura-se desesperadamente a representação do ininteligível como substituição desse dano inevitável.
.....................................
julho 22, 2004na periferia da terra #01
vejo todos os corpos humanos como veículos de emergência que constantemente socorrem alguém. a velocidade que a carne atinge surpreende qualquer alma, mas... provoca dor, e não há serviço de urgência que anestesie a dor do tempo.
.....................................
julho 14, 2004sem legendas #12
com a participação de, Viajador e JoãoLuc :) fotografia | © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
julho 09, 2004sem legendas #11
quando for grande quero continuar inocente e lembrar-me deste texto também ele inocente. quero ser usado, enganado, seduzido com promessas irreais, apurar a minha condição de inocente para lá do compreensível. olhar para as palmas das minhas mãos e ver, sobretudo sentir que o tacto é algo de divino, possuir mãos é ter a certeza de que as oportunidades estão sempre ali, à nossa mão. com as mãos escavar um buraco na areia e ver o outro lado do mundo, esticar o braço, agarrar a lua ou o sol (dependendo da hora) e lançar o crepúsculo, essa hora de ninguém em que nasce-me a primeira estrela na mão.
.....................................
julho 08, 2004enclosure #05
chegaste no limite da palavra
.....................................
julho 04, 2004.....................................
julho 01, 2004anónimos | retratos #01
Procuro palavras que descrevam estes rostos. Todos os verbos que tento empregar para a sua descrição não possuem conjugação para descrever o tempo interrompido por esta fotografia. Para já encontro uma palavra, confiança. Mãe e filha depositaram em mim (um estranho) confiança, deixaram que lhes interrompesse a vida para a organizar sob o meu olhar. Deixaram que a minha visão lhes desse uma vida que não corresponde à realidade. A elas, o meu agradecimento. Todos os retratos que faço não são tentativas de reproduzir a realidade, quem sou eu para ser o representante da realidade? Seria demasiado prepotente da minha parte se eu dissesse que as minhas fotografias são a realidade das pessoas que fotografo. Não são. Quando faço um retrato tenho por objectivo fazer uma fotografia à minha imagem. Não falseio o meu narcisismo em afirmar que sou eu o retratado nas fotografias que faço às pessoas desconhecidas. São eles, os desconhecidos, os porta-vozes do meu silêncio, da minha demência. foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
|