março 08, 2004


insónia


Stª Apolónia, Lisboa 2003

nas cidades, os dias e as noites não existem. não fosse haver uma lua cheia em cada mês e dir-se-ia que a escuridão existente nos caudais subterrâneos era absoluta. o verme mecânico nunca dorme, percorre espaço dissociado do tempo transportando no seu ventre os vencidos, aqueles cujo sono lhes relembram a fragilidade humana.

foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires

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março 02, 2004


sem legendas #08


Torreira 2004
© direitos reservados ao autor nelson d'aires


nódoa

não há nada que possa apagar os vestígios dos humanos na terra. não há água que não esteja inquinada de nódoas, uma enorme mancha de mijo alastra-se insidiosa pelo meio das pernas, um cancro amarelado alimenta-se das fibras, das raízes das fibras, a terra. defecamos, contaminamos o papel do qual limpamos o cu. é essa a pureza, somos a praga consentida, do nosso alimento extraímos o fel, não há nada que possa eliminar a nódoa humana da terra.

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