novembro 30, 2003manhãs, o que me são. #10despertar a sobrevivência. da cama olhar para a janela e esperar a derradeira gota de orvalho que verte a noite. .....................................
novembro 24, 2003manhãs, o que me são. #09nos dias de sol, apenas sinto o eco da reverberação que o meu corpo repele sob os lençóis colados à queimadura da luz. .....................................
novembro 20, 2003graffiti
é um grito cuja água não extingue e não lava das paredes a erosão urbana. foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
novembro 18, 2003silvado
no declive da claridade a pele sobrevive em ruínas, ao abandono anatómico de quem outrora dissecava a vegetação da terra para no seu lugar construir a morada do leito a que todos nós pertence. foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
novembro 17, 2003manhãs, o que me são. #08palavras amplificadas e isoladas. cada uma delas preenche espaço a mais dentro de mim, imobilizando-me. reivindicam a sonoridade que lhes pertence, incham continuamente até que eu lhes vaze a sua acção e deixar o seu eco percorrer o meu corpo como uma ordem e não como um pedido. .....................................
novembro 14, 2003madrugada
no crepúsculo matutino das cidades há uma passagem sombria que rasga o oculto. no embrião dessa hora espessa os incautos são despojados dos seus tesouros. do violador apenas se vislumbra o seu rasto aquoso e esgueiro como a evaporação do orvalho. foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
passagem
os braços são as margens do meu peito feito leito. por vezes, para alcançar uma das margens tenho de mergulhar em apneia e sentir a suspensão do meu peso. foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
novembro 12, 2003manhãs, o que me são. #07um intenso tráfego dentro das veias, o coração como motor e o corpo como veículo de tudo cuja hora de ponta faz-me o sangue coalhar. .....................................
novembro 11, 2003manhãs, o que me são. #06essências intensas, o mais breve odor possuí o peso suficiente para me paralisar. .....................................
novembro 10, 2003coreografias
pensem em cidades, juntem-lhes ruas e passeios apinhados de rostos apressados. sintam o sincronismo do desapego de quem passa por nós, voltem o corpo e sigam-lhe o rasto apenas com o olhar, vejam como esse vulto sabe qual a pedra da calçada que lhe pertence. vejam como se desvia dos outros vultos sem hesitações, como se todos tivessem ensaiado a indiferença neste nosso passeio... foto e texto| © direitos reservados ao autor nelson d'aires .....................................
novembro 07, 2003manhãs, o que me são. #05palavra solitária que se deixa trespassar pela luz à procura da germinação da sua raiz. .....................................
manhãs, o que me são. #04luz entorpecida aninhada sobre as pálpebras, cego porque os braços e as mãos dormentes aguardam que o seu formigueiro brote da hibernação. .....................................
novembro 05, 2003manhãs, o que me são. #03uma fenda profunda onde o espelho que me lava o rosto cai e só com uma toalha áspera consigo limpar os estilhaços da sua queda. .....................................
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manhãs, o que me são. #01quando o corpo me amanhece, por breves momentos, os órgãos motores estranham o torpor da mente e nada no corpo me obedece. .....................................
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